Pai é indiciado por homicídio qualificado e ocultação de cadáver após morte de filho de 11 anos em João Pessoa

13 de novembro de 2025

Davi Piazza Pinto, suspeito de assassinar o próprio filho de 11 anos em um apartamento onde estava hospedado no bairro Jardim Oceania, em João Pessoa, foi indiciado pela Polícia Civil pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver. A confirmação veio do delegado Thiago Cavalcante, que detalhou as qualificadoras do homicídio: motivo torpe, uso de asfixia como meio de execução e o fato de a vítima ser menor de 14 anos. Além disso, o crime foi agravado pela relação de parentesco – o autor ser o pai da criança – e pela condição de deficiência visual do menino.

Imagens de câmeras de segurança divulgadas pela Polícia Civil capturaram o momento em que Davi deixa o local do crime em um carro de aplicativo, carregando uma trouxa de lençóis que, segundo as investigações, envolvia o corpo da criança. “Ele matou o filho dentro do imóvel no Jardim Oceania, chamou uma corrida por aplicativo e transportou o corpo enrolado nos lençóis”, explicou o delegado.

Os motoristas envolvidos – um que levou o suspeito até o bairro Colinas do Sul, onde o corpo foi enterrado, e outro que o trouxe de volta – foram ouvidos no inquérito. “Eles prestaram depoimento, confirmaram sua condição de motoristas e validaram as corridas solicitadas pelo autor”, afirmou o delegado Bruno Cavalcante. As apurações comprovam que Davi agiu sozinho e que o crime foi premeditado.

Quanto à motivação, a polícia baseia-se no relato do próprio suspeito aos investigadores de Santa Catarina: ele teria agido “para tirar um peso da vida”, em um contexto ligado ao pagamento de pensão alimentícia à criança. Essa declaração, somada às circunstâncias, foi interpretada como o indício principal do motivo torpe.

Causa da morte: asfixia por sufocação

O Instituto Médico Legal (IML) de João Pessoa concluiu, após necropsia realizada no domingo (2 de novembro), que a causa da morte foi asfixia por sufocação. Exames adicionais, como o toxicológico, ainda estão pendentes. O corpo foi liberado aos familiares no mesmo dia e sepultado na manhã de segunda-feira (3), no Cemitério do Cristo Redentor, na capital paraibana.

As investigações revelam que o crime ocorreu logo após um encontro entre pai e filho. Após o assassinato, Davi transportou o corpo até uma área de mata no Colinas do Sul, nas proximidades de uma fábrica abandonada, onde o enterrou em uma cova rasa, dentro de um saco plástico preto e parcialmente coberto por terra. Equipes da Polícia Militar realizaram buscas intensas na região desde o desaparecimento da criança, o que levou à localização do corpo.

A perícia identificou uma queimadura no ombro do menino, mas atribuiu a marca à exposição prolongada ao sol, e não a violência adicional.

Suspeito se apresenta em Florianópolis

Enquanto as buscas prosseguiam na Paraíba, Davi Piazza Pinto se apresentou voluntariamente em uma delegacia de Florianópolis (SC), onde foi preso em flagrante. A Polícia Civil paraibana continua as investigações para esclarecer todos os detalhes do caso, que chocou a população local.