Lula e Flávio Bolsonaro trocam exigências sobre abertura de sigilos bancários e fiscais

22 de outubro de 2026

A três dias do segundo turno das eleições presidenciais, o chamado “desafio dos sigilos” intensificou a disputa entre as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O confronto envolve propostas de abertura de dados bancários, fiscais e telefônicos, além de cobranças sobre despesas e relações do governo federal.

A equipe de Lula informou que compareceria ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 11h desta quinta-feira (22) para apresentar uma resposta às condições estabelecidas pelo senador.

O desafio foi lançado por Lula durante o debate da Band, no domingo (18). Na terça-feira (20), o presidente apresentou ao TSE e ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma autorização para a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, assim como os de seus familiares, referentes aos últimos oito anos. A proposta foi condicionada à adoção de medida semelhante por Flávio Bolsonaro.

Na quarta-feira (21), o senador apresentou uma petição ao TSE, dirigida ao ministro André Mendonça. No documento, classificou a iniciativa do adversário como uma “gaveta vazia” e alegou que o patrimônio de Lula poderia estar registrado em nome de terceiros.

Flávio autorizou o levantamento de seus sigilos dos últimos 20 anos, incluindo informações de empresas das quais é sócio ou administrador. Também afirmou não se opor à abertura de mensagens trocadas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Exigências apresentadas por Flávio

Além da abertura dos próprios dados, o senador apresentou uma série de exigências relacionadas ao presidente e a pessoas ligadas ao governo. Entre os pedidos estão o levantamento dos sigilos de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola e ex-chefe de gabinete de Lula, além de documentos sobre as relações do governo com Daniel Vorcaro e com a lobista Roberta Luchsinger, investigada no caso envolvendo o INSS.

O parlamentar também cobrou informações sobre os gastos do cartão corporativo da Presidência desde 2023, a agenda da primeira-dama Janja anterior a fevereiro de 2025 e visitas dos filhos do presidente ao Palácio da Alvorada. Os pedidos incluem ainda dados sobre o uso de helicópteros e despesas do palácio.

Flávio solicitou que o TSE intime Lula a aderir às condições apresentadas. Caso haja recusa, pediu que a decisão seja registrada nos autos como uma negativa do candidato que lançou o desafio.

Campanha de Lula responde

O senador Camilo Santana (PT-CE), integrante da campanha petista, afirmou que Lula aceitará as condições apresentadas, desde que Flávio também cumpra sua parte no acordo.

Em nota divulgada na noite de quarta-feira, a coordenação da campanha informou que compareceria ao TSE nesta quinta-feira para protocolar a resposta do presidente e aguardar a participação da equipe adversária na formalização da abertura dos sigilos solicitados.

Flávio Bolsonaro reagiu à declaração e afirmou receber “com entusiasmo” a possibilidade de Lula abrir a chamada “caixa-preta do Planalto”. O senador também manifestou expectativa de que o compromisso não se transforme em mais uma promessa não cumprida.

Até a publicação das informações pelo PB Agora, não havia confirmação de que representantes da campanha de Flávio compareceriam ao TSE nesta quinta-feira para formalizar a abertura dos dados.