O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por uma possível orientação para que integrantes do Partido Liberal se abstenham da votação da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. As declarações foram feitas nesta quinta-feira (8), durante a reta final da disputa presidencial.
Lula também contestou a proposta de redução de gastos públicos defendida por Flávio, conhecida como “tesouraço”. O presidente classificou a iniciativa como inadequada e afirmou que o orçamento recebido no início de seu governo previa reduções em programas sociais, saúde, educação e prevenção de desastres.
Ao comentar o assunto, Lula mencionou a aprovação da PEC da Transição, em 2022, que, segundo ele, foi necessária para recompor recursos previstos no orçamento de 2023. O presidente citou cortes no Farmácia Popular, no Mais Médicos, na prevenção do câncer, na infraestrutura escolar e no Minha Casa, Minha Vida, além de reduções nas verbas destinadas à assistência social e à construção de cisternas no semiárido.
Lula também afirmou que o orçamento destinado à merenda escolar permaneceu cinco anos sem reajuste e criticou a previsão de recursos para ações de prevenção de desastres.
O presidente também rebateu a promessa de Flávio Bolsonaro de aumentar os benefícios pagos pela Previdência Social. Lula declarou que, desde 2003, nenhum outro presidente teria concedido reajustes aos aposentados acima da inflação.
Questionado sobre a pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (8), que apontou Flávio Bolsonaro quatro pontos percentuais à frente nos votos válidos, Lula evitou comentar diretamente o levantamento. Ele afirmou que pretende concentrar os esforços na busca por votos nos 17 dias restantes da campanha, conforme declarou.
Lula ainda comentou a reunião com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, realizada no Palácio da Alvorada. O presidente classificou a conversa como positiva e afirmou que Motta o ajudaria na disputa eleitoral.
O encontro ocorreu um dia depois de o Republicanos anunciar apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno. No primeiro turno, a legenda havia adotado posição de neutralidade na disputa presidencial.