Grupo investigado por tráfico movimentou R$ 144 milhões com negócios ligados a vaquejadas na Paraíba

15 de setembro de 2026

Uma organização criminosa investigada por tráfico de drogas, comercialização de armas de fogo e lavagem de dinheiro teria movimentado aproximadamente R$ 144 milhões em um período de dois anos, segundo informações da Polícia Civil da Paraíba. O grupo atuava principalmente em Campina Grande, no Agreste paraibano, e também mantinha conexões e negócios no Rio Grande do Norte.

As informações foram divulgadas nesta terça-feira (15), durante a Operação Bon Vivant, deflagrada pelas forças de segurança para desarticular a organização. A investigação aponta que os suspeitos utilizavam diferentes atividades comerciais para movimentar e tentar dar aparência legal aos recursos que, segundo a polícia, eram provenientes de atividades criminosas.

Entre os negócios identificados pelos investigadores estavam atividades relacionadas a vaquejadas, compra e venda de animais, leilões, criação de animais, academias e até o agenciamento da carreira de um cantor.

A operação cumpriu 28 mandados de prisão nos estados da Paraíba e do Rio Grande do Norte. Ao todo, 27 pessoas foram presas, sendo que 15 delas já estavam custodiadas em unidades prisionais.

Investigação começou após apreensão de celular

As investigações tiveram início depois que a Polícia Civil apreendeu o celular de um dos suspeitos. A análise do aparelho revelou conversas, informações e possíveis conexões entre diferentes integrantes do grupo.

A partir desse material, os investigadores passaram a adotar novas medidas e conseguiram identificar uma estrutura que, segundo a polícia, era organizada em diferentes funções.

De acordo com o delegado Lucas Rothardan, as informações encontradas no telefone ajudaram a polícia a chegar a uma estrutura relacionada ao tráfico de drogas, ao comércio ilegal de armas e aos mecanismos utilizados para movimentar os recursos obtidos com essas atividades.

A investigação apontou que os integrantes não concentravam os recursos em apenas um negócio. A organização teria utilizado diferentes atividades econômicas para movimentar valores e dificultar a identificação da origem do dinheiro.

Vaquejadas e compra de animais faziam parte do esquema

Uma das principais frentes identificadas pela Polícia Civil estava relacionada ao mercado de animais e às vaquejadas.

Segundo a investigação, integrantes do grupo compravam animais e participavam de leilões, movimentando grandes quantias e estabelecendo relações comerciais com criadores, compradores e outras pessoas envolvidas no setor.

Para os investigadores, essas atividades também permitiam que os suspeitos ampliassem sua rede de contatos e criassem novas oportunidades de negócios.

Um dos investigados mantinha um empreendimento relacionado à criação e comercialização de animais. Conforme a polícia, essa atividade estava inserida na estrutura utilizada para movimentar recursos e aproximar os integrantes do grupo do mercado formal.

A investigação também identificou a existência de três academias ligadas aos suspeitos.

A presença de diferentes empresas e atividades comerciais levou os investigadores a apontar que a organização utilizava múltiplos negócios como parte da estratégia de movimentação dos valores.

Suspeitos utilizavam ‘laranjas’

Outro elemento identificado durante a investigação foi a utilização de pessoas apontadas pela polícia como “laranjas”.

Segundo os investigadores, essas pessoas eram utilizadas para movimentar dinheiro ou manter bens e negócios registrados em seus nomes.

Entre os nomes identificados estavam esposas de alguns dos investigados, de acordo com a Polícia Civil.

A utilização de terceiros teria sido uma das estratégias empregadas para dificultar a identificação dos verdadeiros responsáveis pelos bens e pelas movimentações financeiras investigadas.

Investigação também encontrou estratégia envolvendo cantor

A Polícia Civil identificou ainda uma estratégia relacionada à carreira de um cantor.

Segundo a investigação, um dos integrantes da organização teria investido recursos na carreira do artista e planejado uma espécie de aposta no crescimento profissional dele.

A estratégia envolvia o agenciamento da carreira do cantor, com investimentos destinados ao desenvolvimento da atividade artística.

Conforme a polícia, a intenção seria utilizar o eventual crescimento da carreira para ampliar as possibilidades de negócios e de movimentação financeira.

A Polícia Civil, no entanto, não aponta o cantor como integrante da organização criminosa.

Segundo os investigadores, o artista provavelmente não tinha conhecimento de que estaria sendo utilizado dentro da estratégia planejada pelos suspeitos.

Organização mantinha estrutura no Rio Grande do Norte

Além da atuação na Paraíba, a organização investigada também mantinha atividades no Rio Grande do Norte.

Um dos principais investigados teria influência no estado e possuía um haras, que foi alvo das ações realizadas durante a operação nesta terça-feira.

Durante as buscas no local, os policiais apreenderam veículos, caminhões e um quadriciclo.

A propriedade passou a ser analisada pelos investigadores como parte da estrutura patrimonial relacionada aos suspeitos e aos negócios envolvendo animais.

A atuação nos dois estados, segundo a investigação, demonstra que a organização mantinha uma estrutura que ultrapassava os limites da Paraíba.

Bens e valores foram bloqueados

Além dos mandados de prisão e das buscas realizadas nos imóveis dos investigados, a operação também determinou o bloqueio de valores e bens que podem estar relacionados às atividades investigadas.

A Polícia Civil apreendeu patrimônios considerados relevantes para o avanço das investigações.

Em Campina Grande, os mandados foram cumpridos nos bairros Aluízio Campos e José Pinheiro, além de dois condomínios fechados.

Durante as ações, os policiais também apreenderam veículos de luxo e outros bens.

O material recolhido deverá ser analisado pelos investigadores para identificar novas informações sobre a estrutura financeira e a atuação da organização.

Prisão teve disparos contra policiais

Uma das ações realizadas em Campina Grande terminou com disparos de arma de fogo contra policiais.

Segundo as informações divulgadas sobre a operação, a equipe conseguiu controlar a situação e realizar a prisão do suspeito.

Apesar dos disparos, ninguém ficou ferido durante a ocorrência.

A operação continuou ao longo desta terça-feira com a análise dos materiais recolhidos e das informações obtidas durante o cumprimento dos mandados.

A Polícia Civil informou que as investigações seguem em andamento e que novos elementos poderão ajudar a esclarecer a participação de cada suspeito e a dimensão da estrutura utilizada pelo grupo.

As autoridades também devem aprofundar a análise dos negócios relacionados a animais, vaquejadas, leilões, academias e demais atividades apontadas na investigação como possíveis mecanismos de movimentação dos recursos.

A Operação Bon Vivant busca esclarecer ainda como os valores teriam circulado entre os diferentes negócios e identificar outros possíveis envolvidos na estrutura investigada.