Falsa médica é presa suspeita de aplicar silicone de construção em harmonização de glúteos, em João Pessoa

27 de agosto de 2026

Isabela Dantas se identificava como especialista nas redes sociais.. Reprodução/TV Cabo Branco

Uma mulher foi presa pela Polícia Civil, na tarde desta quinta-feira (27), em João Pessoa, suspeita de se passar por médica e realizar procedimentos de harmonização de glúteos sem possuir formação para exercer a atividade.

Segundo as denúncias investigadas pela Delegacia de Defraudações, a suspeita teria utilizado diferentes substâncias durante os procedimentos, incluindo ar, soro fisiológico e até silicone de construção. Algumas pacientes relataram dores intensas, inchaços, hematomas e outras complicações de saúde.

A clínica onde os procedimentos eram realizados funcionava em um prédio empresarial localizado na Avenida Epitácio Pessoa, na capital paraibana. Após a prisão, a suspeita foi encaminhada para a Cidade da Polícia Civil.

Nas redes sociais, Isabela de Melo Dantas se apresentava como “Doutora Isabela Dantas”, “rainha da harmonização glútea” e “especialista em harmonização corporal e facial”.

A reportagem não conseguiu localizar a defesa da investigada.

Paciente precisou passar por cirurgia

Uma das denúncias aponta que uma paciente teria recebido silicone de construção nos glúteos durante um procedimento realizado pela suspeita.

Após apresentar complicações, a mulher precisou ser submetida a procedimentos cirúrgicos de emergência.

Outras pacientes também relataram problemas após os procedimentos. Em um dos casos, uma mulher afirmou que a suspeita dizia utilizar bioestimuladores e ácidos específicos para o corpo, mas teria aplicado ar e soro fisiológico.

“Ela dizia usar produtos como bioestimulador e um ácido específico para o corpo. E eu vi colocando, na verdade, ar na seringa e soro fisiológico”, relatou a vítima.

Segundo ela, após o procedimento, surgiram dores e inchaço, além da ausência dos resultados prometidos.

Desconfiada, a paciente procurou informações com outros profissionais e descobriu que a mulher não teria formação ou especialização que a habilitasse a realizar procedimentos invasivos.

Procedimento foi anunciado por R$ 3,5 mil

Outra paciente contou que conheceu a suspeita por meio de uma transmissão ao vivo nas redes sociais. Durante a live, Isabela anunciava a realização de harmonização de glúteos pelo valor de R$ 3,5 mil.

O procedimento foi realizado em uma clínica no Bairro dos Estados, em João Pessoa. A paciente afirmou que acabou pagando R$ 5 mil.

Após a aplicação, ela apresentou hematomas, aumento da temperatura na região e fortes dores, chegando a desmaiar.

Influenciadora também realizou procedimento

A influenciadora Mirella Veríssimo está entre as pacientes que passaram pelo procedimento com a suspeita.

Segundo Mirella, Isabela entrou em contato propondo uma parceria. A influenciadora receberia a harmonização de glúteos com promessa de reposição de colágeno em troca da divulgação do procedimento.

Após a aplicação, Mirella apresentou inchaço e hematomas. Dias depois, quando o inchaço diminuiu, ela percebeu que a região estava com menos volume e apresentava flacidez.

“Nos três primeiros dias estava aquele processo inflamatório, estava inchado. Passando de quatro para cinco dias, você já conseguia ver que estava sumindo aquela questão de volume. O resultado final era pior do que era antes”, relatou.

Mirella afirmou que não sabia que a mulher não era médica. Segundo ela, os produtos utilizados durante a aplicação também não eram apresentados de forma clara.

A influenciadora registrou um boletim de ocorrência.

Ex-funcionária relata que suspeita dizia ser médica

Uma ex-funcionária de Isabela Dantas, que preferiu não se identificar, afirmou que a suspeita se apresentava como médica quando era questionada sobre sua formação.

Segundo a ex-funcionária, Isabela dizia ter especialização na área de estética ou atuar como auxiliar de bloco cirúrgico.

“Ela sempre dizia que era médica. Até quando as pessoas perguntavam qual era a especialização, ela dizia que era estética ou auxiliar de bloco cirúrgico”, relatou.

Ainda conforme a ex-funcionária, a suspeita chegou a afirmar que estava cursando Medicina, mas teria interrompido a graduação por não gostar de uma das disciplinas.

A investigação da Polícia Civil deverá apurar a formação da suspeita, os procedimentos realizados e as substâncias utilizadas nas pacientes.