Envelhecimento da pele e mau hálito estão entre os efeitos colaterais relatados por usuários de canetas emagrecedoras

01 de setembro de 2026

O uso das chamadas “canetas emagrecedoras” ganhou grande espaço entre pessoas que buscam perder peso, mas também passou a despertar atenção para possíveis efeitos colaterais e consequências relacionadas ao tratamento. O uso desses medicamentos sem acompanhamento e prescrição médica pode trazer diferentes problemas à saúde.

Um levantamento realizado pela Winnin, plataforma de inteligência cultural baseada em inteligência artificial, identificou os principais efeitos e queixas relatados por usuários nas redes sociais. Entre os problemas mais mencionados estão falta de energia e mau hálito.

Para chegar aos resultados, o estudo analisou mais de 233 mil vídeos, publicados em inglês, espanhol e português nas plataformas Instagram, YouTube, TikTok, Facebook e Twitch.

Além da falta de energia e do mau hálito, o levantamento apontou outros efeitos e preocupações relacionados ao processo de emagrecimento provocado pelos medicamentos. Entre eles estão o envelhecimento da pele e a perda de colágeno, além de questões relacionadas à preservação da massa muscular e à hipertrofia.

Perda de massa muscular é uma das preocupações

O emagrecimento acelerado pode provocar mudanças que vão além da redução da gordura corporal. De acordo com o especialista em longevidade Guilherme Moscardi, gerente de operações da Ultra Academia, a perda rápida de peso pode também levar à redução da massa muscular.

Segundo ele, essa perda pode provocar consequências importantes para a saúde, já que a musculatura tem relação direta com o metabolismo, a força física e a prevenção de lesões.

“Quando uma pessoa emagrece de forma muito rápida, existe o risco de perder não apenas gordura, mas também massa muscular, o que pode trazer impactos importantes para a saúde”, explicou Moscardi.

O especialista acrescenta que a redução da musculatura está relacionada à queda do metabolismo basal, perda de força, maior possibilidade de lesões e dificuldade para manter os resultados obtidos com o emagrecimento no longo prazo.

A preocupação com a preservação muscular aparece, portanto, entre os assuntos mais discutidos por pessoas que utilizam ou pesquisam as chamadas canetas emagrecedoras.

Efeitos emocionais também são relatados

Além das alterações físicas, o levantamento identificou que problemas emocionais também estão entre os sintomas e questões mais comentados pelos usuários nas redes sociais.

De acordo com a psiquiatra Carla Moura Weinstein, os efeitos emocionais podem ser especialmente relevantes para pessoas que já possuem histórico de transtornos alimentares, compulsão, ansiedade ou depressão.

Por esse motivo, segundo a especialista, é importante que o tratamento para emagrecimento também considere os cuidados relacionados à saúde mental.

A psiquiatra explica que a perda de peso pode produzir efeitos positivos no bem-estar emocional em determinadas situações. A redução do peso pode contribuir para uma melhora da autoestima e da disposição, além de diminuir o sofrimento relacionado ao estigma da obesidade.

Também pode ocorrer uma redução da preocupação constante com a alimentação e da sensação de estar permanentemente lutando contra a fome, o que pode representar um alívio emocional significativo para algumas pessoas.

No entanto, a perda de peso não significa necessariamente que haverá uma melhora automática na maneira como a pessoa enxerga o próprio corpo.

Segundo Carla Moura Weinstein, em alguns casos, a percepção que o indivíduo tem de si mesmo não acompanha a transformação física provocada pelo emagrecimento. Dessa maneira, mesmo depois da perda de peso, a insatisfação com a própria imagem corporal pode continuar.

Perda de volume facial e alterações no cabelo

Entre os últimos tópicos identificados no levantamento aparecem ainda queixas relacionadas à perda de volume facial, ao controle do cabelo e aos efeitos no sistema digestivo.

Esses relatos fazem parte do conjunto de experiências compartilhadas pelos usuários nas redes sociais em conteúdos relacionados ao uso das canetas emagrecedoras.

O levantamento mostra, dessa forma, que a discussão sobre esses medicamentos não está limitada apenas à quantidade de quilos perdidos. Os usuários também compartilham experiências sobre mudanças na aparência, na disposição, no sistema digestivo, na musculatura e no estado emocional.

Conteúdos sobre tratamento crescem nas redes sociais

O interesse pelo tema também aparece no crescimento da quantidade de conteúdos publicados nas plataformas digitais.

De acordo com o levantamento da Winnin, as discussões relacionadas ao tratamento estão concentradas, entre outros espaços, na #GLP1Community, comunidade voltada a conteúdos sobre medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1.

O estudo identificou um aumento de 96% no volume de vídeos relacionados ao assunto, demonstrando o crescimento da procura por informações e relatos de experiências envolvendo esse tipo de tratamento.

As redes sociais passaram a ser utilizadas pelos usuários para compartilhar experiências, efeitos percebidos durante o tratamento, mudanças no corpo e dúvidas relacionadas aos medicamentos.

Jovens adultos são os que mais procuram informações

Em relação ao perfil das pessoas interessadas no assunto, o levantamento apontou que os adultos jovens entre 25 e 34 anos são os que demonstram maior interesse pelos conteúdos relacionados às canetas emagrecedoras.

Apesar da predominância dessa faixa etária, o estudo também identificou a presença de adolescentes entre 13 e 17 anos entre aqueles que pesquisam e interagem com conteúdos relacionados ao tema.

O dado chama atenção porque envolve uma faixa etária mais jovem em uma discussão que inclui medicamentos destinados ao tratamento da obesidade e do controle do peso, reforçando a importância de informações adequadas e de acompanhamento profissional.

Brasil está entre os países que mais interagem sobre o assunto

O interesse pelo tema também apresenta forte presença no Brasil.

Segundo o levantamento, o país aparece entre os três que mais interagem com conteúdos relacionados às canetas emagrecedoras nas redes sociais.

O Brasil registra 209,8% dos acessos na hashtag analisada, ficando atrás do México, com 343,9%, e da Índia, com 43,9%, conforme os dados apresentados no levantamento.

A movimentação nas redes sociais demonstra o tamanho da atenção que o assunto vem recebendo e como os usuários têm utilizado essas plataformas para buscar informações, compartilhar experiências e relatar possíveis efeitos associados ao tratamento.

Uso sem acompanhamento médico exige atenção

O crescimento da popularidade das canetas emagrecedoras também aumenta a preocupação com o uso inadequado desses medicamentos.

A utilização sem a devida prescrição e sem acompanhamento médico pode trazer riscos, especialmente porque o emagrecimento provocado de maneira rápida pode envolver mudanças na composição corporal, incluindo perda de massa muscular.

Além dos efeitos físicos, especialistas também destacam a necessidade de observar os aspectos emocionais relacionados ao processo de emagrecimento. Para pessoas com histórico de transtornos alimentares, compulsão, ansiedade ou depressão, o acompanhamento da saúde mental pode ser uma parte importante do tratamento.

Diante da variedade de efeitos relatados pelos usuários, as informações compartilhadas nas redes sociais podem ajudar a ampliar o debate, mas não substituem a avaliação e o acompanhamento de profissionais de saúde.

O levantamento da Winnin mostra que o interesse pelas canetas emagrecedoras continua crescendo e que os usuários estão discutindo não apenas a perda de peso, mas também questões como energia, mau hálito, envelhecimento da pele, perda de colágeno, massa muscular, hipertrofia, saúde emocional, volume facial, cabelo e sistema digestivo.