No cenário político que se desenha para as eleições presidenciais de 2026, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) destacou três nomes como os mais competitivos da direita: o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o governador do Paraná, Ratinho Júnior. Em entrevista ao programa Poder e Mercado, do Canal UOL, apresentado por Raquel Landim, Ferreira afirmou que, embora esses nomes apareçam bem nas pesquisas, a escolha final do candidato da direita será feita exclusivamente por Jair Bolsonaro, mesmo com o ex-presidente inelegível até 2030 e em prisão domiciliar.
Apesar das restrições impostas pela Justiça, Bolsonaro continua sendo a principal figura da direita brasileira, segundo Ferreira. “Não duvidem da capacidade desse cara. Ele está preso, sem poder falar, sem dar entrevistas, e a esquerda não para de mencionar o nome dele. São três anos de governo Lula, e tudo que escuto no plenário é Bolsonaro”, disse o deputado, reforçando a resiliência da influência do ex-presidente. Ferreira destacou que o sentimento de injustiça e a admiração pelo líder do PL mantêm a base conservadora unida.
Bolsonaro, que tenta reverter sua inelegibilidade por meio de recursos judiciais, será o “grande eleitor” da direita, decidindo quem representará o campo na disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que lidera as intenções de voto, conforme pesquisas recentes, como a da Genial/Quaest.
Tarcísio de Freitas, ex-ministro da Infraestrutura de Bolsonaro e atual governador de São Paulo, é apontado como um dos principais nomes nas pesquisas. “O que aparece nas pesquisas e sempre está com alguns nomes aí é o Tarcísio, que foi ministro do Bolsonaro, que é um aliado, tem feito um bom governo em São Paulo”, afirmou Ferreira. A gestão de Tarcísio no maior estado do país é vista como um trunfo, com alta aprovação e resultados concretos, o que o coloca como uma opção forte para a Presidência.
No entanto, Ferreira ponderou sobre os riscos de Tarcísio abrir mão de uma reeleição praticamente garantida em São Paulo para enfrentar Lula em uma disputa nacional incerta. “Por mais que eu acredite que o trabalho que ele tem feito em São Paulo e, digamos assim, uma eleição garantida [para governador], competir contra o Lula é um risco muito alto”, observou o deputado. A decisão de Tarcísio dependerá diretamente da orientação de Bolsonaro, reforçando a centralidade do ex-presidente no processo.
Outro nome de destaque é Michelle Bolsonaro, que tem aparecido bem nas pesquisas devido ao carisma e ao peso do sobrenome. “O segundo nome que aparece também, Michelle Bolsonaro, que obviamente carrega o sobrenome Bolsonaro, é a esposa do presidente, e tem um carisma gigantesco, não somente entre os cristãos, mas também entre as mulheres”, avaliou Ferreira. O apelo de Michelle junto a evangélicos e eleitoras femininas é visto como um diferencial, especialmente em um contexto de polarização em que pautas culturais e morais ganham relevância.
Embora não tenha experiência em cargos executivos, Michelle é considerada uma opção de continuidade do bolsonarismo, com potencial para herdar a base fiel do ex-presidente sem os desgastes de sua figura pública.
O governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), também foi mencionado por Ferreira como um nome competitivo. “E tem o Ratinho Júnior também, que aparece em diversas pesquisas”, disse o deputado. A gestão eficiente de Ratinho no Paraná, aliada a uma postura discreta e menos polarizadora, faz dele uma alternativa viável, especialmente para atrair setores da direita que buscam um perfil mais moderado. No entanto, sua candidatura também dependerá do aval de Bolsonaro, que mantém o controle sobre as articulações do campo conservador.
Ferreira deixou claro que, apesar dos nomes promissores, “tá tudo muito aberto” e que a palavra final será de Jair Bolsonaro. A influência do ex-presidente, mesmo em um contexto de limitações legais, é inquestionável dentro da direita. Além dos três nomes citados, o deputado mencionou que Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, também se colocou à disposição, ampliando as possibilidades no entorno familiar.
O cenário para 2026 permanece incerto, com a direita buscando um candidato capaz de unificar suas alas e enfrentar o favoritismo de Lula. A capacidade de Bolsonaro de mobilizar sua base, como fez em 2018, será crucial para definir o rumo do campo conservador. Enquanto isso, nomes como Tarcísio, Michelle e Ratinho aguardam o sinal do líder para entrar na disputa.
O programa Poder e Mercado é exibido às terças e quintas-feiras, às 20h, e está disponível ao vivo na home do UOL, YouTube, Facebook e em operadoras como Claro, Vivo e Sky. A entrevista completa com Nikolas Ferreira pode ser acessada no Canal UOL.
A decisão de Bolsonaro será o divisor de águas para a direita, e o Brasil acompanha, com expectativa, o próximo capítulo dessa trama política.