Motociclista que morreu após atropelar pedestre em Campina Grande já havia sido condenado por morte da namorada

14 de setembro de 2026

João Arthur Canuto Alves, de 34 anos, foi condenado por provocar morte de namorada em acidente de trânsito — Foto: Reprodução/TV Paraíba

O motociclista João Arthur Canuto Alves, de 34 anos, que morreu nesta segunda-feira (14), após sofrer um grave acidente de trânsito em Campina Grande, já havia sido condenado pela morte da namorada, Nayara Ellen Dias do Nascimento, de 17 anos, em 2015.

João Arthur estava internado em estado grave desde a tarde do sábado (12), quando perdeu o controle da motocicleta na Avenida Juscelino Kubitschek, no bairro do Cruzeiro. Durante o acidente, a moto atingiu uma mulher de 37 anos que estava na calçada e, em seguida, bateu em um veículo estacionado.

A mulher atropelada foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhada ao Hospital de Emergência e Trauma de Campina Grande. Segundo a unidade de saúde, ela sofreu uma fratura exposta em uma das pernas e permanece internada, com quadro clínico estável.

Condenação pela morte da namorada

Nayara Ellen morreu aos 17 anos, em 7 de março de 2015, após um acidente de trânsito no Centro de Campina Grande, nas proximidades do Viaduto Elpídio de Almeida.

Inicialmente, a ocorrência foi registrada como um acidente. Durante as investigações, porém, a Polícia Civil apontou que João Arthur teria perseguido a adolescente após uma discussão e jogado o carro contra a motocicleta que ela conduzia.

Segundo a investigação, os dois estavam juntos horas antes do acidente, acompanhados de um casal de amigos, em um bar de Campina Grande. Após um desentendimento, Nayara teria deixado o local de moto, enquanto João Arthur teria seguido atrás dela em um carro.

A Polícia Civil também informou que depoimentos e outros elementos reunidos durante a investigação indicaram que o homem teria ameaçado a namorada antes da perseguição.

Após a colisão, Nayara perdeu o controle da motocicleta e bateu contra a lateral de um ônibus que passava pela via. Ela morreu ainda no local.

Na época, João Arthur negou ter provocado a morte da adolescente e afirmou que estava sendo injustiçado. A defesa também negou a acusação e sustentou que ele não teve intenção de matar a jovem.

Processo e condenação

Em setembro de 2015, o Ministério Público da Paraíba denunciou João Arthur pela morte de Nayara. A acusação envolvia homicídio qualificado, fraude processual e uso de documento falso, já que ele estaria utilizando uma CNH inválida.

Segundo o Ministério Público, o acusado teria agido de maneira consciente ao atingir a motocicleta da namorada com o carro. A denúncia também apontou que, após o acidente, ele teria recebido ajuda do irmão e de um amigo para retirar os veículos do local.

O Ministério Público afirmou ainda que o homem teria ameaçado familiares da adolescente após a morte dela.

Em 2017, João Arthur foi condenado pelo Tribunal de Justiça da Paraíba a seis anos de prisão, em regime semiaberto, pelo crime de homicídio simples. Ele cumpriu a pena e posteriormente foi colocado em liberdade.

Novo acidente em 2018

Em 2018, João Arthur voltou a se envolver em um acidente de trânsito que deixou duas pessoas feridas.

Segundo as investigações realizadas na época, ele apresentava sinais de embriaguez, não possuía Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e teria deixado o local sem prestar socorro às vítimas.

Nesse processo, ele foi condenado a quatro anos de prisão, em regime semiaberto, por lesão corporal culposa na direção de veículo. Posteriormente, recebeu o benefício da liberdade condicional.

Acidente que terminou com a morte do motociclista

No sábado (12), João Arthur voltou a se envolver em um acidente em Campina Grande. De acordo com a Companhia de Polícia de Trânsito (CPTran), ele pilotava uma motocicleta em alta velocidade quando perdeu o controle ao passar por um quebra-molas na Avenida Juscelino Kubitschek.

A moto invadiu a calçada e atingiu uma mulher de 37 anos. Na sequência, o veículo também bateu em um carro que estava estacionado.

O motociclista e a pedestre foram socorridos pelo Samu e levados para o Hospital de Trauma. João Arthur chegou à unidade desacordado e em estado grave. A morte dele foi confirmada nesta segunda-feira (14).

A Superintendência de Trânsito e Transportes Públicos (STTP) informou que a motocicleta era emprestada e estava com o emplacamento atrasado. Segundo o órgão, o condutor também teria empinado o veículo antes do acidente.

As circunstâncias do acidente que provocou a morte de João Arthur e deixou a pedestre ferida deverão ser apuradas pelas autoridades.