Justiça da Paraíba mantém arquivamento do caso Ana Sophia, menina desaparecida em Bananeiras

01 de setembro de 2025

A Justiça da Paraíba decidiu manter o arquivamento do inquérito que investigava o desaparecimento de Ana Sophia Gomes dos Santos, de 8 anos, ocorrido em 4 de julho de 2023, no Distrito de Roma, zona rural de Bananeiras, Paraíba. A decisão, assinada em 23 de julho de 2025 e confirmada em 22 de agosto de 2025, também determinou a retirada do sigilo dos autos, tornando o processo acessível ao público. O caso, que chocou a região, foi encerrado após a conclusão de que Tiago Fontes Silva da Rocha, identificado como autor do homicídio, tirou a própria vida durante as investigações, levando à extinção da punibilidade.

Contexto do caso

Ana Sophia saiu de casa por volta das 12h do dia 4 de julho de 2023 para visitar uma amiga. Ao chegar ao destino e não encontrar a amiga, a menina retornou. Imagens de uma câmera de segurança, às 12h36, registraram Ana Sophia passando pela calçada de um mercadinho. Cerca de 150 metros adiante, um vulto foi visto entrando em uma casa, e a perícia confirmou que as características coincidiam com as da criança. O local era a entrada da residência de Tiago Fontes, o principal suspeito. Esse foi o último registro da menina em vida.

Investigações e conclusão

A Polícia Civil, com apoio da Polícia Federal, conduziu uma investigação rigorosa, utilizando recursos tecnológicos e periciais. As provas apontaram Tiago Fontes como o autor de um crime premeditado com motivação sexual. No celular do suspeito, foram encontradas buscas sobre decomposição de corpos, estágios de putrefação, identificação por DNA e até sobre o caso de outra criança assassinada. Segundo o delegado Diógenes Fernandes, Tiago planejava o crime desde março de 2023, pesquisando, por exemplo, métodos de asfixia de uma criança de 7 anos, idade de Ana Sophia à época.

Tiago Fontes, que frequentava a casa do sogro, localizada em frente à residência da família de Ana Sophia, conhecia a rotina da menina. Ele desapareceu em 12 de setembro de 2023, após uma vistoria em sua residência. Em novembro de 2023, seu corpo foi encontrado em uma área de mata em Bananeiras, em avançado estado de decomposição, sem sinais de violência, ao lado de uma garrafa de bebida alcoólica e uma cama improvisada de capim. A perícia concluiu que ele cometeu suicídio, o que foi descrito tecnicamente como “autoeliminação”. Apesar de buscas na área, o corpo de Ana Sophia não foi localizado.

Arquivamento do inquérito

A Polícia Civil e o Ministério Público da Paraíba (MPPB) concluíram que não havia outros responsáveis pelo crime, e, com a morte do suspeito, a punibilidade foi extinta. O MPPB recomendou o arquivamento, que foi acolhido pela Justiça. A mãe de Ana Sophia foi notificada em outubro de 2024 e não apresentou objeções dentro do prazo legal de 30 dias, resultando no encerramento do inquérito em 22 de agosto de 2025.

Tentativa de reabertura

Em maio de 2025, os pais de Ana Sophia, João Simplício e Maria do Socorro, solicitaram a reabertura do inquérito, alegando falhas na investigação e apresentando supostos fatos novos. O MPPB, porém, defendeu a manutenção do arquivamento, argumentando que os elementos apresentados eram apenas reinterpretações de provas já analisadas. O promotor Edmilson de Campos Leite Filho destacou que todas as linhas investigativas foram exaustivamente exploradas, e todas apontaram para Tiago Fontes como o autor do homicídio. Ele também afirmou que a ausência do corpo da criança, embora trágica, não justifica a reabertura sem novas evidências concretas.

A Justiça, em decisão de 17 de março de 2025, confirmou o arquivamento, considerando que os argumentos dos pais, apresentados quase sete meses após a notificação, não trouxeram provas inéditas. A decisão registrou:

“Trata-se de teses e conjecturas sobre elementos já exaustivamente analisados no bojo do inquérito, os quais foram motivadamente afastados pela investigação. A irresignação, embora compreensível diante da dor da perda, não tem o condão de reabrir um procedimento já encerrado de acordo com as formalidades legais.”

Impacto na comunidade

O caso de Ana Sophia gerou comoção em Bananeiras e na Paraíba, levantando debates sobre segurança em áreas rurais e a proteção de crianças. A família, inconformada com o desfecho, expressou o desejo de novas diligências, mas a Justiça considerou que as investigações foram conduzidas com rigor técnico, com provas periciais e testemunhais sólidas.

Para mais informações, os autos do processo, agora sem sigilo, podem ser consultados junto ao Tribunal de Justiça da Paraíba. A Polícia Civil reforça que denúncias ou informações sobre casos semelhantes podem ser feitas pelo número 197 (Disque-Denúncia) ou diretamente nas delegacias locais.