Faleceu neste domingo (4) o homem de aproximadamente 50 anos que estava internado com raiva humana no Hospital Universitário Alcides Carneiro (HUAC), em Campina Grande. A morte foi confirmada pelo diretor de Vigilância em Saúde do município, Miguel Dantas, marcando um caso raro e trágico da doença na Paraíba.
O paciente, residente no bairro do Serrotão, apresentou os primeiros sintomas da raiva em 10 de dezembro de 2025, sendo internado em uma unidade hospitalar no dia 13 do mesmo mês. Seu quadro clínico agravou-se rapidamente, levando à transferência para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em 15 de dezembro, onde permaneceu em estado grave até o óbito.
De acordo com relatos, o homem foi mordido por um sagui (mico) em setembro de 2025, enquanto tentava alimentar o animal silvestre. Após a mordida, ele não procurou atendimento médico imediato, apesar de apresentar inchaço e desconforto no local. O animal não foi mais localizado, o que impediu qualquer monitoramento ou testagem. “É o grande erro de todo mundo. Ele tentou alimentar um animal silvestre. Inclusive, após a mordedura, ele não encontrou mais o animal. Outro erro: ele também não procurou o serviço de saúde para tratar a mordida. Inclusive, inchou, causou incomodo, mas ele não procurou. O tratamento pós-exposição aconteceria nesse momento”, afirmou Miguel Dantas em declaração recente.
Entre os sintomas iniciais observados na admissão hospitalar estavam agitação mental e física, confusão mental, alteração do nível de consciência, aerofobia (medo de correntes de ar), falta de ar e queda na oxigenação do sangue. Devido à insuficiência respiratória aguda associada à instabilidade neurológica, o paciente precisou ser intubado e colocado em ventilação mecânica invasiva. Ele foi mantido em sedação profunda, com instabilidade da pressão arterial, sob monitorização contínua e cuidados multiprofissionais da equipe do HUAC.
A Secretaria de Saúde de Campina Grande tratou o caso como uma suspeita de raiva humana com “forte compatibilidade clínica”, embora a confirmação laboratorial estivesse pendente durante a hospitalização. A Vigilância em Saúde iniciou investigações sobre o histórico de exposição e o local de infecção, adotando medidas de vigilância ambiental e epidemiológica. O incidente foi elevado a alerta nacional de saúde pública, com envolvimento do governo federal para fornecimento de medicamentos de tratamento.
Casos de raiva humana são raros no Brasil, mas letais quando não tratados precocemente. A doença, transmitida principalmente por mordidas de animais infectados como morcegos, cães ou primatas silvestres, tem um período de incubação variável e sintomas que evoluem para paralisia e morte se não houver intervenção imediata com vacinas e soro antirrábico. Autoridades de saúde reforçam a importância de buscar atendimento médico imediatamente após qualquer exposição a animais silvestres ou suspeitos, para evitar tragédias como esta.