Áudios atribuídos ao delegado Braz Morroni, preso na investigação que apura um suposto esquema de desvio de drogas na Polícia Civil da Paraíba, mostram o policial orientando um escrivão a registrar um boletim de ocorrência com informações falsas sobre uma apreensão de entorpecentes. O material, divulgado pela Rede Paraíba de Comunicação, integra a investigação da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco).
Segundo as apurações, o delegado teria determinado que o boletim fosse registrado com data de 17 de outubro de 2025, embora a apreensão tenha ocorrido seis dias antes, em 11 de outubro. Em um dos áudios, ele orienta que dois policiais levem a droga à delegacia dias após a operação para formalizar o procedimento.
A investigação também aponta que fotografias extraídas dos celulares dos investigados mostram Braz Morroni no imóvel onde os entorpecentes estavam armazenados no dia da apreensão. De acordo com a perícia, os arquivos possuem registros de data, horário e geolocalização que reforçam a suspeita de participação direta na retirada da droga antes da formalização da ocorrência.
Outro ponto destacado pela Draco é a divergência entre a quantidade de drogas registrada oficialmente e o volume que teria sido apreendido. Enquanto o boletim informa cerca de 1,5 quilo de entorpecentes, os investigadores estimam que a carga ultrapassava 100 quilos.
A defesa de Braz Morroni informou que analisará os autos do processo e afirmou confiar na presunção de inocência do delegado, sustentando que irá demonstrar sua inocência ao longo da tramitação da ação.