Justiça determinou a internação do adolescente responsável pela morte de Washington Rodrigo, de 33 anos, dentro de um hotel no bairro de Manaíra, em João Pessoa. A medida socioeducativa pode durar até três anos e deverá ser reavaliada pela Justiça a cada seis meses.
O caso ocorreu na madrugada de 24 de julho. Segundo a investigação, o adolescente asfixiou a vítima utilizando o cabo de um secador de cabelo. Em depoimento, ele afirmou que agiu por receio de que sua orientação sexual fosse revelada.
A Polícia Civil informou que o adolescente, natural do Rio Grande do Norte, possui pelo menos 17 boletins de ocorrência registrados no estado. Entre os registros estão ocorrências relacionadas a furtos, extorsão, ameaças, perseguição e violência doméstica.
O adolescente foi responsabilizado por ato infracional análogo ao crime de homicídio qualificado. Ele foi apreendido após se apresentar à Polícia Civil, em Caicó, no Rio Grande do Norte, e posteriormente levado para João Pessoa.
No processo, o jovem passou por uma audiência de instrução no dia 31 de agosto. Depois dessa etapa, o juiz Luiz Eduardo Souto proferiu a decisão determinando a internação.
A medida tem duração máxima prevista de três anos, mas não significa que o adolescente permanecerá necessariamente todo esse período internado. A situação deverá ser analisada a cada seis meses pela Justiça.
Na prática, a primeira avaliação ocorrerá após seis meses de internação.
Ao determinar a medida, o juiz considerou qualificadoras relacionadas às circunstâncias do crime. Entre elas está o motivo considerado fútil, associado à discussão sobre pagamento e ao temor de que aspectos da vida privada fossem expostos.
Também foram consideradas a utilização de meio cruel, diante do estrangulamento e da asfixia, e a impossibilidade de defesa da vítima. Segundo a decisão, Washington Rodrigo teria sido imobilizado e atacado sem condições de reagir.
O advogado do adolescente, Ariolan Fernandes, afirmou, em nota, que respeita a decisão judicial, mas entende que a medida deve ser novamente analisada. A defesa citou as circunstâncias do caso, o histórico de acompanhamento psicossocial do jovem e a necessidade de que a medida socioeducativa respeite critérios de proporcionalidade e individualização.
De acordo com o delegado Diego Garcia, o adolescente chegou a João Pessoa no dia 23 de julho.
Na mesma data, ele teria acessado um site de relacionamento, onde encontrou Washington Rodrigo. A partir do contato disponibilizado na plataforma, os dois começaram a conversar.
Posteriormente, a comunicação teria continuado por meio de um aplicativo de mensagens. O encontro foi então combinado para o dia seguinte.
A defesa apresentou uma versão semelhante sobre o primeiro contato. Em entrevista à TV Cabo Branco, o advogado afirmou que o adolescente havia pesquisado anúncios disponíveis no site e que a escolha de Washington Rodrigo teria ocorrido de maneira aleatória.
Para entrar no hotel onde ocorreu o encontro, o adolescente teria utilizado um documento falso, segundo informações da Polícia Civil.
Familiares de Washington Rodrigo contaram à TV Cabo Branco que ele trabalhava como motorista autônomo. Antes de desaparecer, ele havia avisado à mãe que faria uma corrida com destino a Pipa, no Rio Grande do Norte.
O encontro entre Washington Rodrigo e o adolescente aconteceu na madrugada de 24 de julho, em um hotel localizado no bairro de Manaíra, na orla de João Pessoa.
Durante a investigação, o adolescente relatou à Polícia Civil que teria se sentido intimidado durante o encontro. Segundo a versão apresentada por ele, havia o receio de que Washington tivesse registrado imagens de parte do momento íntimo entre os dois.
O delegado Diego Garcia informou que o adolescente teria utilizado uma pistola de airsoft para obrigar a vítima a fornecer a senha do telefone celular.
Segundo o relato apresentado à polícia, o adolescente afirmou que acreditava que poderia haver mensagens ou fotografias relacionadas ao encontro no aparelho. Ele teria alegado ainda preocupação com a própria imagem e com a possibilidade de exposição de sua vida privada.
A defesa confirmou que o adolescente confessou ter cometido o homicídio e afirmou que ele teria agido por medo de que a relação entre os dois fosse descoberta.
Após o encontro, o adolescente teria utilizado o cabo do secador de cabelo disponibilizado no quarto para estrangular Washington Rodrigo.
Segundo a versão apresentada pelo jovem, a intenção inicial seria apenas deixar a vítima desacordada para conseguir fugir do hotel.
O Instituto de Medicina Legal (IML), porém, confirmou que Washington Rodrigo morreu em decorrência de asfixia.
O médico Flávio Fabres, diretor do IML, informou também que o corpo apresentava sinais compatíveis com tortura.
Depois do crime, o adolescente ainda tentou deixar o hotel utilizando o carro da vítima, mas não conseguiu conduzir o veículo para fora do local.
De acordo com o delegado Cristiano Santana, após abandonar a tentativa de sair com o automóvel, o adolescente deixou o local sozinho e teria mantido um comportamento considerado normal. Ele chegou, inclusive, a realizar publicações nas redes sociais como se nada tivesse acontecido.
A defesa informou que o corpo de Washington Rodrigo foi encontrado por uma funcionária que trabalhava como copeira no hotel, quando ela deixou o quarto.
Durante o trabalho de investigação, a Polícia Civil apreendeu uma pistola de airsoft e algemas. Segundo os investigadores, os objetos foram importantes para ajudar a reconstruir a dinâmica do crime e apontar a participação do adolescente.
O delegado Diego Garcia afirmou que os materiais apreendidos forneceram elementos considerados relevantes para a investigação.
A Polícia Civil também informou que nenhuma droga foi encontrada dentro do quarto do hotel.
O adolescente se apresentou espontaneamente à Polícia Civil em Caicó, no Rio Grande do Norte, acompanhado de seu advogado de defesa.
Após prestar depoimento, na manhã de 28 de julho, ele foi encaminhado para João Pessoa. A partir de então, o caso passou a ser acompanhado pela Delegacia da Infância e da Juventude.
Durante uma coletiva de imprensa, a Polícia Civil revelou que o adolescente já acumulava ao menos 17 boletins de ocorrência no Rio Grande do Norte.
Segundo a corporação, ele já havia sido internado anteriormente em uma unidade destinada ao atendimento de adolescentes envolvidos em atos infracionais.
Entre os registros existentes estão ocorrências relacionadas a atos infracionais semelhantes aos crimes de furto qualificado e extorsão, além de perseguição, conhecida como stalking, ameaça, violência doméstica e lesão corporal praticada em contexto de violência doméstica.
Com a nova decisão judicial, o adolescente permanecerá internado inicialmente por seis meses, período após o qual sua situação deverá passar por nova avaliação. A medida poderá ser mantida ou modificada de acordo com as determinações da Justiça, respeitando o limite máximo de três anos previsto para a internação.