Adolescente de 17 anos apontado como braço direito de homem que afirma ter matado 80 pessoas é apreendido na Paraíba

18 de setembro de 2026

Um adolescente de 17 anos foi apreendido nesta sexta-feira (18), em Cabedelo, no Litoral da Paraíba, suspeito de envolvimento em nove homicídios registrados na região do Vale do Mamanguape. Segundo a Polícia Civil, o jovem também é apontado como integrante próximo de Jorlan Lopes da Silva, homem preso no último domingo (13) após ser localizado usando vestido, peruca, sandália feminina, óculos escuros e unhas pintadas.

De acordo com as investigações, o adolescente é suspeito de ter participado de um assassinato ocorrido no dia 12 de setembro, em Mamanguape. A vítima foi um jovem morto a tiros durante a concentração de um evento realizado na Praça da Juventude.

Na ocasião, havia uma grande movimentação de pessoas para um evento político que contaria com a participação do deputado federal e presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), ao lado do prefeito de Mamanguape, Joaquim Fernandes (PSB).

A Polícia Civil informou que o homicídio teria relação com uma disputa entre facções criminosas que atuam na região. Segundo os investigadores, o crime não teria ligação com a realização do evento político nem com questões relacionadas à política.

A apreensão do adolescente ocorreu durante uma operação conjunta envolvendo as polícias Civil e Militar.

Suspeito é investigado por nove homicídios

Conforme a Polícia Civil, o adolescente é investigado por nove assassinatos ocorridos no Vale do Mamanguape. A corporação também aponta que ele teria uma relação próxima com Jorlan Lopes da Silva, que foi preso após uma operação realizada na região.

Jorlan foi localizado em Mulungu, no último domingo (13), depois de uma operação que durou cerca de 48 horas. Para tentar escapar das autoridades, ele teria usado roupas femininas, incluindo vestido, peruca e sandálias, além de óculos escuros e unhas pintadas.

Durante a fuga, o suspeito também estava com uma criança, que não era parente dele. Segundo o relato apresentado pela Polícia Civil, Jorlan teria retornado à residência onde estava, pegado um revólver e deixado a criança no local.

No momento em que deixava o imóvel, porém, o vestido teria se deslocado. Os policiais perceberam uma tatuagem e, a partir dessa característica, conseguiram identificar que a pessoa que estava disfarçada era Jorlan.

Após ser preso, ele prestou depoimento e afirmou aos investigadores que teria cometido aproximadamente 80 homicídios ao longo da vida.

A Polícia Civil informou que está verificando as declarações feitas pelo suspeito e confrontando o número apresentado por ele com investigações já existentes, provas técnicas e registros oficiais de homicídios.

Segundo o delegado Douglas Garcia, responsável por parte das investigações, a quantidade mencionada por Jorlan é considerada expressiva e está sendo analisada pelas autoridades.

A polícia também ainda não esclareceu como a criança acabou ficando sob os cuidados de Jorlan durante a fuga nem informou, até a publicação da matéria, se ela recebeu atendimento médico depois de ser localizada.

Outros dois suspeitos também foram presos

Além de Jorlan, outras duas pessoas foram presas durante a mesma operação realizada pelas forças de segurança em Mulungu. Os dois homens também são investigados por envolvimento em diferentes crimes praticados na região.

Segundo o delegado Marcos Paulo Sales, os três suspeitos teriam ligação com uma mesma facção criminosa com atuação no Vale do Mamanguape.

Jorlan possuía um mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça da Paraíba. Depois da prisão, ele passou por audiência de custódia e foi encaminhado para o Presídio Sílvio Porto, em João Pessoa.

As investigações continuam para esclarecer a participação de cada um dos suspeitos nos homicídios e demais crimes atribuídos ao grupo.