João Azevêdo defende redistribuição de recursos do SUS e afirma que Cagepa deve permanecer pública

03 de setembro de 2026

João Azevêdo (PSB), candidato a senador pela Paraíba, foi entrevistado no Bom Dia Paraíba nesta quinta-feira (3) — Foto: Reprodução/TV Cabo Branco

O candidato ao Senado Federal pela Paraíba, João Azevêdo (PSB), defendeu nesta quinta-feira (3) uma mudança na forma como os recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) são distribuídos entre estados e municípios. Durante entrevista ao programa Bom Dia Paraíba, da TV Cabo Branco, ele afirmou que a Paraíba recebe menos recursos do governo federal do que necessita para manter a estrutura estadual de saúde.

A entrevista fez parte da rodada de sabatinas com os candidatos ao Senado pela Paraíba. As entrevistas têm duração de 15 minutos e são conduzidas pelo colunista de política da Rede Paraíba, João Paulo Medeiros.

Segundo João Azevêdo, a rede estadual possui uma estrutura maior e, por isso, deveria receber uma parcela maior dos recursos destinados ao financiamento da saúde pública.

O ex-governador citou como exemplo a quantidade de hospitais e unidades de pronto atendimento mantidos pelo estado em comparação com a estrutura da capital paraibana.

“O sistema de saúde do Brasil precisa ser melhorado em vários aspectos, principalmente daquilo que se refere ao custeio. O valor efetivamente transferido é abaixo das despesas que o Estado precisa para manter a saúde”, afirmou.

Na avaliação do candidato, a diferença na distribuição dos recursos fica evidente quando comparados os valores recebidos pela Paraíba e por João Pessoa.

João Azevêdo destacou que o estado conta atualmente com 36 hospitais e quatro Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), enquanto a capital possui uma rede considerada menor.

“O estado da Paraíba, com 36 hospitais e quatro UPAs, recebe menos recursos do que a prefeitura de João Pessoa, que tem uma rede infinitamente menor. Essa distribuição de recurso está equivocada. Ela precisa ser melhorada e isso eu vou lutar para que aconteça”, declarou.

Cagepa deve continuar pública, afirma candidato

Durante a sabatina, João Azevêdo também foi questionado sobre privatizações e parcerias entre o poder público e empresas privadas.

O candidato afirmou que não é contrário à privatização em determinadas áreas, mas defendeu que a Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) continue sob controle público.

Segundo ele, o modelo adotado na Paraíba demonstra que não seria necessário privatizar o sistema de abastecimento de água.

“Não sou contrário à privatização de algumas coisas. Entretanto, naquilo que se refere ao sistema de abastecimento d’água, não há necessidade de privatização, e nós mostramos isso pelo sistema e pelo modelo que nós desenvolvemos na Paraíba”, disse.

João explicou ainda que o estado trabalhou em um modelo de parceria com a iniciativa privada para ampliar o sistema de esgotamento sanitário.

De acordo com o candidato, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) passou três anos desenvolvendo o projeto, que prevê a participação de uma empresa privada na operação do esgotamento sanitário em 85 municípios paraibanos.

A iniciativa, segundo João, alcançaria aproximadamente 2 milhões de habitantes.

“O que nós fizemos foi uma modelagem em que o BNDES passou três anos desenvolvendo um modelo em que o esgotamento sanitário em 85 cidades, que dá quase 2 milhões de habitantes, seja feito por uma empresa privada”, afirmou.

Secretários investigados

Outro tema abordado durante a entrevista foi a situação de secretários que integraram a gestão de João Azevêdo e que foram alvo de investigações.

Questionado se se arrepende de ter mantido os auxiliares nos cargos enquanto as investigações estavam em andamento, o candidato respondeu que não.

João justificou a decisão com base no princípio da presunção de inocência e afirmou que, naquele momento, não havia determinação para afastamento dos secretários.

Segundo ele, o Ministério Público da Paraíba (MPPB) encaminhou a investigação à Justiça em dezembro de 2025, mas não solicitou o afastamento dos integrantes do governo.

O candidato também afirmou que o Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) só recebeu a denúncia em maio de 2026, quando ele já havia deixado o cargo de governador para disputar uma vaga no Senado.

“Claro que eu não me arrependo. Na verdade, o Ministério Público fez uma investigação e, em dezembro de 2025, a encaminhou à Justiça. Não foi pedido o afastamento de nenhum secretário, que poderia ter pedido se houvesse gravidade no fato denunciado, e o Tribunal de Justiça só acatou a denúncia em maio, quando eu já não era mais governador. Não havia nenhum tipo de julgamento. O mínimo que alguém merece é presunção de inocência”, declarou.

João Azevêdo também foi questionado sobre como agiria caso, durante um eventual mandato no Senado, algum auxiliar ou integrante de sua equipe fosse envolvido em uma situação considerada suspeita.

Ele respondeu que uma eventual decisão sobre a permanência de um integrante da equipe dependeria das circunstâncias de cada caso e da gravidade dos fatos.

Sabatinas com candidatos ao Senado

A entrevista de João Azevêdo foi a quarta da série de sabatinas promovida pelo Bom Dia Paraíba com os candidatos ao Senado Federal pelo estado.

As entrevistas começaram em 31 de agosto e seguem até 8 de setembro. No feriado de 7 de setembro não haverá sabatina.

A ordem dos entrevistados foi definida por sorteio:

  • 31 de agosto: Veneziano Vital (MDB);
  • 1º de setembro: Nabor Wanderley (Republicanos);
  • 2 de setembro: André Gadelha (MDB);
  • 3 de setembro: João Azevêdo (PSB);
  • 4 de setembro: Major Fábio (Novo);
  • 8 de setembro: Marcelo Queiroga (PL).

As entrevistas são transmitidas pelo Bom Dia Paraíba, têm duração de 15 minutos e são conduzidas pelo colunista de política da Rede Paraíba, João Paulo Medeiros.