Foto: TV Globo. Gustavo Demétrio
O Ministério Público da Paraíba (MPPB) ajuizou uma ação de improbidade administrativa contra o delegado Braz Marroni de Paiva Junior e os agentes da Polícia Civil Everton Rychelyson da Silva Aires e Eduardo Jorge Ferreira do Egito. Os três estão presos e são investigados por envolvimento em um esquema de desvio de drogas apreendidas durante ações policiais.
A nova ação, que veio a público nesta segunda-feira (31), busca responsabilizar os servidores na esfera cível. O MPPB também solicitou, em caráter liminar, o afastamento imediato dos três das funções públicas.
O órgão ainda pediu à Justiça o bloqueio dos bens dos investigados. A medida tem como objetivo garantir o ressarcimento aos cofres públicos e a recomposição de valores que, segundo a investigação, teriam sido obtidos por meio das práticas ilícitas atribuídas aos servidores.
A defesa de Eduardo Jorge afirmou ter recebido “com perplexidade” a nova ação relacionada à Operação Pérfidus. Segundo os advogados, eles tomaram conhecimento do processo por meio da imprensa e ainda não tiveram acesso integral às provas utilizadas para fundamentar as acusações.
Até a última atualização da reportagem, as defesas de Braz Marroni e Everton Aires não haviam se manifestado.
Os três policiais já haviam sido denunciados pelo Ministério Público por crimes relacionados à invasão de imóveis para desviar drogas. A denúncia anterior foi apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
No processo criminal, Braz Marroni, Everton Aires e Eduardo Jorge respondem por crimes como furto qualificado, abuso de autoridade, falsificação de documento público e fraude processual.
Além das acusações criminais, o Ministério Público pediu à Justiça a perda dos cargos públicos dos investigados, a conversão das prisões temporárias em preventivas e o pagamento de R$ 1 milhão por danos morais coletivos.
Segundo a investigação, os servidores recebiam informações sobre imóveis utilizados para armazenar drogas e, a partir desses dados, realizavam incursões nos locais. Parte do material encontrado, conforme a acusação, não era registrada oficialmente.
O Ministério Público sustenta que os investigados se aproveitavam da condição de policiais para se apropriar de entorpecentes apreendidos e também retirar drogas que pertenciam a terceiros.
Ainda de acordo com a denúncia, os policiais simulavam ações oficiais para ter acesso aos imóveis e, posteriormente, desviavam parte dos entorpecentes para revenda de forma ilegal.
A acusação apresentada pelo MPPB é baseada em diferentes elementos obtidos durante as investigações. Entre as provas estão análises de celulares, dados de geolocalização da viatura utilizada pelos policiais, quebras de sigilos telemático, bancário e fiscal, além de documentos, monitoramento e depoimentos.
Os três investigados estavam lotados na Delegacia de Crimes contra o Patrimônio.
A investigação aponta que o delegado e os agentes teriam utilizado a estrutura e a autoridade policial para executar as ações e ocultar parte das drogas apreendidas.
Com a nova ação de improbidade administrativa, o Ministério Público busca também responsabilizar os envolvidos na esfera cível, além das acusações já existentes na área criminal.