“Tentava levar ele para a igreja”, diz irmão de jovem morta em São Paulo

15 de agosto de 2026

Inicialmente, Isabela pretendia morar com o pai em São Paulo. Porém, como a residência dele ficava distante de seu trabalho, a jovem decidiu alugar um quarto em uma república na Vila Mariana, na Zona Sul da capital. Foi nesse local que ela conheceu João Pedro da Silva Barroso, apontado pela polícia como suspeito de sua morte.

Segundo Davi Fonseca, irmão de Isabela, os dois nunca chegaram a assumir oficialmente um relacionamento. Ele contou que a irmã sabia que João Pedro enfrentava problemas com drogas e tentava ajudá-lo durante o período de recuperação.

“Ela ficava tentando ajudar de alguma forma. Tentava levar ele para a igreja e aconselhar, porque fazia muitas amizades por lá”, relatou Davi.

Ainda de acordo com o irmão, João Pedro havia iniciado um processo de recuperação, mas teria sofrido uma recaída nos últimos meses. Davi afirmou que, com o aumento do consumo de drogas, o comportamento do suspeito teria se tornado mais agressivo.

“Segundo algumas informações que eu peguei, ele era um cara tranquilo, apesar de ter usado drogas. Ele estava se recuperando, mas, de uns tempos para cá, acho que desde fevereiro, começou a cair nas drogas, aumentar mesmo o uso e começou a ter atitudes violentas. Eles não chegaram a oficializar nenhum tipo de namoro”, afirmou.

O corpo de Isabela foi sepultado na manhã desta quinta-feira (14), no Cemitério Senhor da Boa Sentença, em São Paulo.

Relembre o caso

Isabela foi morta na noite de segunda-feira (10), na Vila Mariana. Conforme as investigações, ela teria sido atacada por João Pedro, que, segundo a polícia, aplicou um golpe conhecido como “mata-leão”, bateu a cabeça da vítima diversas vezes contra o chão e provocou fraturas nas pernas.

João Pedro, de 28 anos, foi preso horas depois e autuado por feminicídio. Durante o depoimento, ele afirmou que mantinha um relacionamento com Isabela. Em audiência de custódia realizada na terça-feira (11), a prisão em flagrante foi convertida em preventiva. O caso está sendo investigado pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).

Isabela foi encontrada morta no recuo de um imóvel. Segundo o boletim de ocorrência, um vigilante teria visto a jovem caminhando com um homem enquanto os dois discutiam. Pouco depois, o homem retornou sozinho.

Ao ser questionado sobre o paradeiro da mulher, ele teria respondido que ela havia ido embora. Desconfiado, o vigilante iniciou buscas pela região e encontrou Isabela caída no imóvel. O Samu foi acionado, mas a equipe médica constatou a morte.

A vítima apresentava diversas lesões, e a perícia foi chamada ao local. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML).

Suspeito foi encontrado com documentos e celular da vítima

Após a localização do corpo, policiais analisaram imagens de câmeras de segurança e passaram a procurar o suspeito. Por volta das 23h40, João Pedro foi localizado durante um patrulhamento na região.

Segundo o boletim de ocorrência, ele tentou fugir ao perceber a aproximação dos policiais, mas acabou abordado na Rua Gândavo. Durante a revista, os agentes encontraram com ele o documento de identidade de Isabela e um celular que pertencia à vítima. Ele também carregava um lençol semelhante ao registrado nas imagens de segurança.

Em depoimento, João Pedro afirmou que mantinha um relacionamento com Isabela havia cerca de um ano. Segundo a versão apresentada por ele à polícia, teria decidido matá-la após acreditar que ela pretendia tirar sua vida.

O suspeito também declarou que havia usado crack na noite do crime e afirmou que Isabela não havia consumido drogas.

João Pedro permanece preso preventivamente e à disposição da Justiça. A investigação segue sob responsabilidade do DHPP.