Investigações apontam que facção criminosa no Rio de Janeiro monitora ações em Cabedelo

11 de maio de 2026

Cabedelo, na Grande João Pessoa, estaria sendo monitorada remotamente por integrantes do Comando Vermelho, que atuariam a partir do Rio de Janeiro, segundo investigações da Polícia Federal e do Ministério Público da Paraíba.

De acordo com as apurações, a facção utilizaria câmeras clandestinas instaladas em diferentes pontos da cidade para acompanhar a rotina local 24 horas por dia e, em alguns casos, influenciar decisões e ações na administração pública.

Nos últimos anos, mais de dez operações policiais foram realizadas no município para investigar suspeitas de corrupção, organização criminosa e desvio de recursos públicos. As investigações apontam ainda que o crime organizado teria se infiltrado em setores estratégicos da prefeitura, ampliando sua influência sobre a vida da população.

Segundo o delegado da Polícia Federal na Paraíba, João Marcos Gomes Cruz Silva, a situação indica um cenário de grave fragilidade institucional em Cabedelo. Já o procurador-geral de Justiça do MP-PB, Leonardo Quintans, afirma que a atuação de facções criminosas pode comprometer a liberdade dos moradores, criando um ambiente de controle paralelo ao Estado.

As investigações indicam que parte desse monitoramento seria feito a partir do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Materiais apreendidos mostram suspeitos acompanhando imagens de diversas câmeras espalhadas por áreas urbanas e residenciais da cidade. Em um dos registros, um integrante da facção comenta sobre a tranquilidade do monitoramento, enquanto investigadores classificam a estrutura como uma espécie de “central remota” do crime organizado.

Um dos principais nomes citados nas investigações é Flávio de Lima Monteiro, conhecido como “Fatoka”, apontado como liderança da chamada Tropa do Amigão, ligada ao Comando Vermelho no Nordeste. Ele é investigado por tráfico de drogas, homicídios e organização criminosa e, segundo a polícia, mesmo foragido, continuaria exercendo influência sobre ações em Cabedelo por meio de ordens enviadas do Rio de Janeiro.

Relatos e vídeos analisados pelas autoridades também indicam circulação de criminosos armados em bairros da cidade, além de pichações atribuídas à facção, o que reforçaria a disputa territorial.

Outro ponto das investigações envolve o uso de câmeras clandestinas, apelidadas de “besouros”, que seriam instaladas em postes e estruturas urbanas para monitorar a movimentação de rivais e das forças de segurança. Policiais afirmam que, em algumas operações, já chegaram a ser observados em tempo real por esses equipamentos.

As apurações também investigam possível infiltração do crime organizado em setores da administração municipal, com suspeitas de loteamento de cargos, desvios de recursos e contratos irregulares. O prejuízo estimado chega a centenas de milhões de reais, segundo o Ministério Público.

As defesas dos investigados negam envolvimento com organizações criminosas e afirmam que as acusações serão contestadas no curso dos processos.