O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e afirmou que líderes mundiais devem atuar com base no respeito, e não pelo uso do medo.
“Trump não tem o direito de acordar de manhã e ameaçar um país”, disse Lula em entrevista ao jornal El País, concedida em Brasília. O presidente acrescentou que o norte-americano “não foi eleito para isso” e que sua atuação “não está de acordo com a Constituição dos Estados Unidos”.
Segundo Lula, Trump vem elevando o tom das ameaças, especialmente em relação ao Irã, chegando a mencionar a possibilidade de destruição da civilização persa. O presidente brasileiro criticou essa postura e afirmou que “ninguém tem o direito de amedrontar os outros”, defendendo maior responsabilidade dos líderes na manutenção da paz global.
Lula se descreveu como um líder que prefere o diálogo e o respeito em vez da intimidação, e disse que o cenário internacional exige maturidade política.
O presidente também comentou sua agenda internacional e afirmou que viajará à Europa, onde se reunirá com o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, em Barcelona. Ele destacou ainda uma conversa que teve com Trump durante a Assembleia-Geral da ONU, quando defendeu a necessidade de diálogo entre líderes de grandes potências.
Na entrevista, Lula afirmou que o atual momento da política global é “perigoso” e criticou o que chamou de postura unilateral dos Estados Unidos em conflitos internacionais. Ele também comentou temas regionais, defendendo eleições livres na Venezuela e afirmando não manter relações com o presidente argentino Javier Milei.