A arquiteta brasileira Daniela Marys de Oliveira, de 35 anos, está detida há quase sete meses no Camboja, vítima de uma rede de tráfico humano que a atraiu com uma falsa oferta de emprego em telemarketing. Segundo relatos da família, ela foi forçada a participar de golpes virtuais e, ao se recusar, teve drogas plantadas em sua bagagem, levando à prisão por tráfico de drogas. Sua mãe, Myriam Marys, denuncia a injustiça e pede ajuda urgente: “Só quero que ela volte viva”.
com família em João Pessoa, na Paraíba, fala inglês fluentemente e estava em busca de oportunidades profissionais quando enviou currículos online. Ela aceitou uma proposta que prometia salário, moradia e alimentação por até um ano no Camboja. Apesar das reservas da mãe, viajou no final de março de 2025, mantendo contato inicial via mensagens com fotos e vídeos. As imagens mostravam um complexo isolado com beliches, o que já gerou suspeitas. “Eu achei estranho desde o início. O lugar era isolado, sem comércio ou estradas próximas”, contou Myriam em entrevistas.
Ao chegar próximo à fronteira com a Tailândia, longe da capital Phnom Penh, seu passaporte foi retido pelos criminosos. O suposto trabalho revelou-se um esquema de fraudes online: Daniela era obrigada a se passar por policiais federais em chamadas para extorquir vítimas. Ao recusar, foi informada de que precisava pagar uma multa de US$ 4 mil para “rescindir o contrato” e sair. “Não tinha como ela escapar. Pegaram o passaporte e a isolaram”, explicou a irmã Lorena.
Em março de 2025, drogas – três cápsulas de substâncias ilícitas – foram plantadas em seu banheiro ou bagagem, resultando na prisão. Daniela pediu um teste toxicológico para provar inocência, mas foi negado. Ela foi transferida para a Prisão Provincial de Banteay Meanchey, uma instalação superlotada onde divide uma cela com cerca de 90 mulheres. Durante a detenção, adoeceu gravemente, e o médico prisional recomendou exames externos, mas a transferência demorou quase 20 dias. “O médico disse que ela precisava de exames fora, mas demoraram para levá-la”, relatou Myriam.