Pesquisa da UFPB aponta em Baía da Traição, perda de até 80 metros de território em 41 anos, com impactos agravados pela ação humana

12 de outubro de 2025

Moradores de Baía da Traição, no Litoral Norte da Paraíba, enfrentam as consequências drásticas do avanço do mar, que já virou casas de ponta-cabeça e engoliu trechos significativos da costa. Segundo uma pesquisa em andamento conduzida pelo professor Celso Santos, do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), a cidade perdeu, em média, 12 metros de faixa litorânea entre 1984 e 2025, com uma taxa de recuo de 0,29 metros por ano. Em um trecho específico, a erosão foi ainda mais severa, com perda de 80 metros de território, especialmente na região central, marcada por alta concentração urbana e turística.

Erosão mais intensa na área urbana

A pesquisa revela que a erosão é mais acentuada na porção central de Baía da Traição, onde o turismo e a ocupação urbana são mais intensos. Já nas extremidades do município, a presença de dunas e vegetação nativa, como a restinga, garante maior estabilidade, com alguns trechos registrando até mesmo ganho de território. Imagens da pesquisa, com linhas vermelhas indicando avanço do mar e linhas azuis mostrando acresção, ilustram a disparidade entre essas áreas.

Causas: fatores naturais e ação humana

O estudo identifica dois grupos de fatores responsáveis pela erosão costeira:

Fatores naturais:

  • Marés astronômicas elevadas: Influência gravitacional da Lua e do Sol.
  • Aumento do nível médio do mar: Consequência das mudanças climáticas globais.
  • Ação contínua das ondas: Desgaste natural da costa.
  • Ausência de grandes rios: Pouco aporte de sedimentos para recompor a faixa litorânea.

Fatores humanos:

  • Ocupação desordenada: Construções muito próximas à praia, como quiosques e residências.
  • Retirada de vegetação de restinga: Compromete a estabilidade do solo.
  • Falta de infraestrutura de drenagem: Favorece o carreamento de areia para o mar.

O professor Celso Santos destaca que, embora os fatores naturais desempenhem um papel importante, a ação humana é o principal agravante do problema. “A ocupação desordenada e a remoção da vegetação nativa intensificam a erosão, tornando a costa mais vulnerável”, explica.

Impactos visíveis e preocupantes

O caso mais emblemático é o de uma casa que, segundo moradores, foi literalmente virada de ponta-cabeça pelo avanço do mar. O fenômeno, registrado em vídeos e timelapses, evidencia a destruição progressiva da orla. A pesquisa, que acompanha a costa desde 1984, ainda está em curso e deve trazer mais detalhes sobre a dinâmica costeira da região.

O que pode ser feito?

Para mitigar o problema, especialistas sugerem ações como:

  • Reforço da vegetação nativa: Preservação e replantio de restinga para estabilizar o solo.
  • Planejamento urbano sustentável: Restrição de construções próximas à orla.
  • Infraestrutura de contenção: Muros de contenção e sistemas de drenagem adequados.
  • Monitoramento contínuo: Acompanhamento da dinâmica costeira para embasar políticas públicas.

Enquanto soluções não são implementadas, Baía da Traição segue perdendo terreno para o mar, com impactos diretos na vida dos moradores e na economia local, que depende fortemente do turismo. A pesquisa da UFPB reforça a urgência de medidas para proteger a costa e preservar o equilíbrio ambiental da região.

Fonte: Pesquisa do professor Celso Santos (UFPB), ainda não publicada.

informações e foto G1