Paraibano de 25 anos morre em combate na guerra da Ucrânia

08 de outubro de 2025

O jovem paraibano Thiago Paulo Bulhões, de 25 anos, morreu no último sábado (4) durante um combate na guerra entre Ucrânia e Rússia. A confirmação foi feita por sua mãe, Elidiane Bulhões, em entrevista ao g1. Thiago, que morava com os pais em Santa Rita, na Região Metropolitana de João Pessoa, deixou o Brasil em 30 de junho de 2025 para atuar como voluntário nas forças ucranianas. Ele deixa duas filhas, de 4 e 7 anos.

Thiago trabalhava em uma escolinha de futebol em Santa Rita antes de partir para a Ucrânia. Segundo Elidiane, o filho conheceu um grupo de pessoas pelas redes sociais que discutiam o conflito entre Rússia e Ucrânia. Apesar dos conselhos da família para não se envolver, Thiago decidiu ingressar no grupo e viajar para a zona de guerra. “Ele se trancava no quarto e passava muito tempo falando com esse povo [no celular]. A gente não sabe as promessas que fizeram para ele ir para um lugar desses. A família deu muito conselho, mas foi decisão dele”, relatou a mãe.

Última conversa e o sonho de Thiago

A última conversa entre Thiago e Elidiane ocorreu horas antes do combate fatal, no sábado (4). Ele pediu que a mãe acompanhasse suas postagens no Instagram, já que o sinal na região era instável. “Foi horrível, um pedaço de mim que foi embora. Meu filho comprou uma briga que não era dele, mas era o sonho dele”, desabafou Elidiane.

Thiago não planejava voltar ao Brasil. Segundo a mãe, ele queria permanecer na Europa após o conflito, buscando novas oportunidades de trabalho. “Ele dizia: ‘Mãe, eu não quero voltar, estou fazendo o que amo, ajudando as pessoas que mais precisam’”, contou. Apesar de receber cerca de R$ 25 mil pelo trabalho na linha de frente, Thiago afirmava que seu principal objetivo era ajudar. “Meu filho sempre quis defender as pessoas, dizia que ia proteger a cidade”, completou Elidiane.

Cremação e assistência consular

De acordo com a família, o corpo de Thiago será cremado, e as cinzas, junto com seus pertences, serão enviadas ao Brasil, mas ainda não há previsão de quando isso ocorrerá. O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), por meio da Embaixada do Brasil em Kiev, informou ao g1 que presta assistência consular às famílias, mas não confirmou a morte do paraibano, citando questões de privacidade. O órgão destacou que o atendimento depende do contato dos familiares.

Em setembro, o Itamaraty emitiu um alerta recomendando que brasileiros evitem propostas de trabalho militar em conflitos armados, devido aos riscos e às limitações de assistência consular. A Embaixada da Ucrânia no Brasil, por sua vez, declarou ao Jornal Nacional que não recruta cidadãos brasileiros para suas Forças Armadas e que os voluntários, como Thiago, chegam ao país por iniciativa própria.

Contexto do envolvimento de brasileiros

O caso de Thiago reflete uma tendência observada nos últimos anos, em que brasileiros, muitas vezes motivados por contatos virtuais, decidem se alistar em conflitos internacionais. A guerra na Ucrânia, iniciada em 2022, atraiu voluntários de diversos países, mas também levantou preocupações sobre os riscos e as condições de recrutamento. O Itamaraty reforça que contratos com forças armadas estrangeiras podem limitar a proteção consular oferecida aos brasileiros.

A história de Thiago, marcada por idealismo e tragédia, deixa um vazio na família e reacende o debate sobre a participação de jovens em conflitos distantes. “Ele tinha amor, queria ajudar. Mas perdeu a vida por uma causa que não era nossa”, lamentou Elidiane.

G1PB