Esquema de corrupção em Gurinhém: juiz, advogado e médico são denunciados pelo MPPB

08 de outubro de 2025

O Ministério Público da Paraíba (MPPB), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), denunciou o juiz Glauco Coutinho Marques, o advogado Adão Soares de Sousa e o médico Diego Otávio Melo Coutinho, filho do magistrado, por suspeita de envolvimento em um esquema de favorecimento em decisões judiciais na Comarca de Gurinhém, no interior do estado. A denúncia aponta que o advogado repassava quantias ao juiz, que, em troca, priorizava os processos de interesse de Sousa.

Detalhes do esquema

A investigação, que é um desdobramento da Operação Remontada – que apura fraudes milionárias em aposentadorias na Paraíba –, revelou indícios de crimes como corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. O juiz Glauco Coutinho Marques, responsável pela Comarca de Gurinhém, já foi afastado de suas funções por determinação do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB).

Entre as evidências levantadas pelo Gaeco, destacam-se:

  • Conversas telefônicas: O juiz foi flagrado ordenando prioridade absoluta em processos de interesse do advogado Adão Soares.
  • Transferências financeiras: Movimentações de R$ 67,4 mil do advogado para o juiz e seu núcleo familiar.
  • Compra de imóvel: Um depósito de R$ 50 mil foi identificado para a aquisição de um lote em um condomínio de luxo em João Pessoa, posteriormente transferido ao juiz.
  • Alvarás judiciais: Expedição de alvarás no valor de R$ 77,9 mil para o advogado, seguida de depósitos suspeitos nas contas do magistrado.

O médico Diego Otávio, filho do juiz, é apontado como “laranja” financeiro, atuando para ocultar a origem ilícita dos recursos transferidos entre o advogado e o magistrado. O MPPB fixou uma quantia de R$ 1 milhão como reparação por danos morais coletivos causados pelo esquema.

Acusações formais

Os denunciados foram enquadrados nos seguintes crimes:

  • Glauco Coutinho Marques (juiz): Corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
  • Adão Soares de Sousa (advogado): Corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
  • Diego Otávio Melo Coutinho (médico): Lavagem de dinheiro.

Posicionamento e próximos passos

A Rede Paraíba tentou contato com as defesas dos denunciados, mas não obteve resposta. A Associação dos Magistrados da Paraíba (AMPB), da qual o juiz é filiado, informou, por meio de seu presidente Alexandre Trineto, que acompanha o caso com atenção e defende que “toda e qualquer apuração deve se pautar na garantia constitucional da ampla defesa e do contraditório”.

O Órgão Especial do Tribunal de Justiça da Paraíba decidirá se aceita ou não a abertura da Ação Penal contra os denunciados. O caso segue sob investigação, e novas informações podem surgir à medida que o processo avança.

Por [Seu Nome], para [Nome do Veículo de Comunicação]
Data: 08 de outubro de 2025