Influenciadora Ruivinha Sofre Tentativa de Feminicídio e Tem Medida Protetiva Negada em João Pessoa

04 de setembro de 2025

Na noite de terça-feira (2), a influenciadora digital paraibana conhecida como “Ruivinha” ou “Ruivão” foi vítima de uma tentativa de feminicídio no bairro de Mangabeira, em João Pessoa, Paraíba. A jovem, que acumula mais de 250 mil seguidores no Instagram (@aruivinhaoficiall), foi perseguida por um carro enquanto dirigia na Avenida Comerciante Alfredo Ferreira da Rocha. O suspeito, identificado como seu ex-marido, efetuou disparos de arma de fogo, atingindo a mão da influenciadora e a cadeirinha de sua filha, que, por sorte, não estava no veículo.

Ruivinha, que registrou um boletim de ocorrência na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) da Zona Sul, relatou que o ataque é parte de um histórico de violência doméstica que motivou o fim de seu relacionamento de sete anos com o ex-marido, em junho deste ano. Em suas redes sociais, ela compartilhou imagens de câmeras de segurança que mostram agressões físicas sofridas anteriormente, incluindo socos e chutes, reforçando suas denúncias. “Eu me separei dele porque ele me espancou. Passei sete anos perdoando traições e inúmeras agressões”, desabafou.

Após o atentado, a influenciadora solicitou medidas protetivas contra o ex-marido, mas, nesta quinta-feira (4), ela revelou em seus stories no Instagram que o pedido foi negado pela Justiça da Paraíba. “A Justiça não definiu a medida protetiva de urgência porque não houve flagrante. As câmeras de segurança do local ainda estão sendo averiguadas, então não tem mandado de prisão, não tem nada. O cara tá solto aí como se não tivesse feito nada”, lamentou Ruivinha, expressando medo e indignação. Ela destacou a fragilidade de sua segurança, mesmo morando em um condomínio com vigilância, já que o ex-marido poderia acessar o local com a ajuda de conhecidos.

A Polícia Civil, por meio da delegada Sileide Azevedo, coordenadora das Delegacias Especializadas no Atendimento à Mulher, confirmou que a vítima registrou o boletim de ocorrência e solicitou as medidas protetivas. No entanto, o suspeito ainda não foi localizado, e não há mandado de prisão contra ele, pois a prisão dependeria de flagrante ou de um pedido de prisão preventiva. A investigação segue em andamento, com análise de imagens de câmeras de segurança e depoimentos de testemunhas.

Ruivinha recusou a oferta de um abrigo, argumentando que trabalha com internet e não deseja se isolar da sociedade. “Eu não vou ficar excluída me escondendo quando eu sou a vítima”, afirmou. Ela aceitou a patrulha da Lei Maria da Penha, mas expressou frustração com a falta de medidas concretas contra o agressor. “Graças a Deus, eu estou aqui para contar história. Não virei estatística ainda. Só se faz alguma coisa por mulher aqui no Brasil se a mulher morrer”, desabafou entre lágrimas.

O caso tem gerado comoção nas redes sociais, onde Ruivinha, mãe de dois filhos, incluindo uma filha de um ano com o ex-marido, tem usado sua visibilidade para denunciar a violência sofrida. A influenciadora, que também gerencia uma empresa de rifas, prometeu continuar expondo o caso para evitar se tornar “mais uma história de feminicídio”.

A advogada da vítima informou que o processo tramita em segredo de Justiça, limitando a divulgação de detalhes. O Tribunal de Justiça da Paraíba e a Polícia Civil não retornaram os contatos para esclarecimentos adicionais até o momento.