Na noite de segunda-feira (4), o vereador Carlos Bolsonaro (PL) foi internado no Hospital Unimed Rio, localizado na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro, após sentir-se mal ao desembarcar na cidade. Segundo informações, o mal-estar do parlamentar ocorreu logo após ele tomar conhecimento da prisão domiciliar de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com o advogado Antonio Carlos Alonso, que representa Carlos Bolsonaro, o vereador passou mal devido ao impacto da notícia sobre a situação do pai. Até o momento, não foram divulgados detalhes específicos sobre o quadro de saúde do vereador, nem se ele permanece internado. A assessoria do hospital e a equipe do político foram contatadas, mas não houve retorno com mais informações.
Há relatos de que Carlos Bolsonaro está sendo atendido por um cardiologista, mas a natureza exata de seu problema de saúde não foi confirmada.
A prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes na mesma segunda-feira (4). Além da restrição de liberdade, Moraes proibiu visitas ao ex-presidente e ordenou a apreensão de celulares em sua residência. Durante a operação, a Polícia Federal recolheu um aparelho.
Na decisão, o ministro argumentou que Bolsonaro teria utilizado as redes sociais de aliados, incluindo os perfis de seus três filhos parlamentares – Carlos, Flávio e Eduardo Bolsonaro –, para divulgar mensagens com “claro conteúdo de incentivo e instigação a ataques ao Supremo Tribunal Federal e apoio ostensivo à intervenção estrangeira no Poder Judiciário brasileiro”. Um exemplo citado foi uma postagem do senador Flávio Bolsonaro, no domingo (3), que repercutiu atos a favor de Bolsonaro em diversas cidades do país. Moraes destacou que Flávio removeu a publicação, possivelmente para ocultar a transgressão.
A defesa de Jair Bolsonaro contestou a decisão, afirmando que o ex-presidente cumpriu todas as medidas cautelares impostas anteriormente e que a decretação da prisão domiciliar foi uma surpresa. As medidas cautelares haviam sido determinadas em 18 de julho, devido a indícios de obstrução de Justiça em um processo no qual Bolsonaro é réu por tentativa de golpe de Estado.
A decisão de Moraes ocorre em um momento de alta tensão política. A prisão domiciliar de Bolsonaro foi criticada pela defesa, que a considerou injustificada, e também gerou reações de aliados, como o senador Flávio Bolsonaro, que removeu postagens para evitar maiores conflitos. Além disso, o caso ganhou repercussão internacional, com o governo Trump condenando a decisão e criticando Alexandre de Moraes.
Carlos Bolsonaro, conhecido por sua forte presença nas redes sociais e por coordenar estratégias digitais do pai, também tem se manifestado publicamente contra o ministro do STF. Em postagens recentes, o vereador acusou Moraes de conduzir um “projeto de perseguição política” e de agir sem imparcialidade.
Vale lembrar que Jair Bolsonaro enfrentou problemas de saúde recentemente. Em abril de 2025, ele foi internado com um quadro de obstrução intestinal, decorrente de complicações de uma facada sofrida em 2018, durante a campanha eleitoral. Após uma cirurgia de 12 horas no Hospital DF Star, em Brasília, o ex-presidente foi encaminhado à UTI, onde permaneceu em estado estável. A condição de saúde de Bolsonaro tem impactado sua agenda política, com aliados do PL sugerindo a necessidade de atividades mais leves para preservar sua saúde.
O mal-estar de Carlos Bolsonaro reflete o impacto emocional e político da prisão domiciliar de Jair Bolsonaro sobre sua família e aliados. O ex-presidente segue sendo uma figura central na direita brasileira, e sua situação continua gerando debates acalorados. O PL, partido de Bolsonaro, planeja usar sua influência para fortalecer candidaturas em 2026, mas os desdobramentos judiciais e de saúde podem alterar esses planos.
Até o momento, não há novas atualizações sobre o estado de saúde de Carlos Bolsonaro ou sobre os próximos passos da defesa de Jair Bolsonaro em relação à decisão do STF. A situação permanece em acompanhamento, com desdobramentos que podem influenciar o cenário político nacional.